26.1.12

A coragem que levo no peito


Postagem do dia 19/02/09


- Moço, quanto custa esta flor?

- R$ 1,75.
- Faz por R$ 1,50?

- Tudo bem, pode levar.

- Qual você vai querer? A rosa, a vermelha, a branca ou a amarela?


...Silêncio...


- Bem, eu não posso levar todas, né? Acho que vou levar aquela ali, bonitinha, toda amarela. Ela tem o brilho do sol e se parece com a morena que mora em meu coração. Sabe moço, a morena tem os olhos cor de jabuticaba e um sorriso radiante na face. Esta noite eu sonhei com ela. Nos meus sonhos, ela sorri, segura a minha mão e juntos, vivemos momentos mágicos. Caminhamos por jardins, subimos colinas, descemos vales. E o melhor de tudo é que, nos sonhos, até o tempo passa preguiçoso, só pra eu ficar ao seu ladinho. Ela tem o perfume de quem aprecia a vida, aquele mesmo cheirinho que se sente quando se parte uma maçã ao meio. Quando seguro sua mão, é como se eu estivesse dançando ao som de uma flauta tocada por pastores de ovelhas. Entretanto, o que me intriga mesmo, é que a morena sempre vai embora quando o sol está quase por nascer. Esta hora é inevitável. E não consigo impedir que ela se vá. Meu coração estremece só de recordar a sua imagem se despedindo no horizonte. Eu não quero vê-la partir, moço. Por isso, comprei este botão amarelo da cor do sol e ofertarei com todo o meu amor à morena. Moço me deseje sorte, pois estou indo ao encontro da mais bela flor do campo. Ela mora bem ali naquela rua perto do cais, numa casa branca de janela verde.

- Meu filho, disse o vendedor de flores, Deus te mandou um presente: o Amor. Pode levar estas outras rosas. Elas te darão sorte e você conquistará a moça morena.

- Obrigado, moço! Obrigado mesmo.

Por  Gilmara Pessoa

Quantas vezes a gente, em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte,os óculos procura, tendo-os na ponta do nariz!

(Mário Quintana)

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